Teve lugar hoje, na cidade de Pemba, Cabo Delgado, a mesa redonda destinada a discutir os direitos das raparigas deslocadas em contexto de violência extremista, que já provocou mais de mil mortos e o deslocamento de outras cerca de 300 mil naquela província.
“Eu quero ser médica”, disse Amina Manuel, 18 anos, que participou no encontro e está como deslocada depois de ter sido forçada a abandonar a sua casa em resultado da violência extremista. “Somos deslocadas e onde estamos não temos o que fazer (…) pedimos a quem de direito para nos dar uma ocupação de modo a evitarmos os casamentos prematuros e as gravidezes precoces”, sublinhou.
“Gostaria de ver todos alegres, sem agressão nem rancor contra ninguém”, disse por sua vez Amina Assumane, que tem como um dos sonhos terminar os seus estudos. “Gostaria que as raparigas deslocadas recebessem apoio para continuar os seus estudos e encontrar trabalho”, sublinhou.
A mesa redonda, subordinada ao Lema “Minha voz para um futuro de igualdade”, serviu também para assinalar o Dia Internacional da Rapariga, que será celebrado no dia 11 de Outubro corrente. O encontro foi organizado pela Fundação MASC em parceria com os Serviços Provinciais dos Assuntos Sociais (Departamento do Género, Criança e Acção Social) e contou com a participação de representantes do governo local, da sociedade civil, entre outros convidados.
“Foi um debate muito interessante, participativo e que trouxe temas que despertaram a atenção de todos os participantes”, disse Francisco Sade, Coordenador do Departamento de Género, Criança e Acção Social, no Serviço Provincial dos Assuntos Sociais.
Sade disse que uma das acções do governo tem sido a disseminação de mensagens educativas junto das comunidades que acolhem as raparigas deslocadas “de modo a verem a rapariga como uma criança que precisa de amparo e de espaço para desenvolver uma actividade.”
“É importante garantir que as raparigas tenham informação sobre os seus direitos, particularmente os direitos sexuais reprodutivos”, disse por seu turno Lurdes, colaboradora da Associação Progresso.
O Dia Internacional da Rapariga foi instituída em 2011 pela Organização das Nações Unidas, através da Resolução 66/170, com o objectivo de promover a protecção dos direitos das raparigas de todo o mundo e acabar com a vulnerabilidade, discriminação e violência que estas sofrem.