Este Projecto veio para ajudar a população, particularmente a que vive nas zonas recônditas, a manifestar os seus sentimentos, dificuldades e necessidades junto do Governo. Por exemplo, a população da aldeia Cotocuane percorre cerca de 38 quilómetros para chegar a uma unidade sanitária, mas depois da entrevista feita pela Rádio Mpharama,ouvimos do Governo que já tem um plano de construir uma unidade sanitária na aldeia, que irá beneficiar não os residentes de Cotocuane, mas também as comunidades próximas. Isso, para mim, é muito positivo” – Mário Jamal, líder comunitário da aldeia de Cotocuane, localidade de Jamira, Posto Administrativo de Cuecue, no distrito de Balama.

“O Projecto é bem-vindo, pois veio para ajudar a comunidade a expressar os seus sentimentos, expor as suas dificuldades e manifestar as suas ideias e necessidades junto do Governo distrital. Além de dar voz aos sem voz, o Projecto ajuda o Governo a perceber as necessidades do seu povo, para melhor desenhar estratégias e planos de acção no sentido de melhorar os serviços básicos e torná-los mais próximos da comunidade” – ­ Adelina Sitoi, directora do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Balama.

São os testemunhos de alguns dos actores envolvidos no Projecto Jornalismo Cidadão, uma iniciativa da Fundação MASC para promover a participação dos cidadãos e a discussão pública em prol da melhoria da prestação de serviços básicos.

Trata-se de um Projecto inserido no Pilar C do Plano Estratégico 2020-2030 da Fundação MASC, que é sobre Acesso Melhorado aos Serviços Básicos.

Mas porque os 5 Pilares do Plano Estratégico complementam-se e reforçam-se, mutuamente, o Projecto atravessa, em particular, outros 2 Pilares, nomeadamente sobre a Governação Democrática e sobre o Fortalecimento da Paz e Coesão Social (outros Pilares são sobre Meios de Subsistência Rurais, Resiliência e Geração de Rendimentos e sobre Desenvolvimento Institucional da Fundação MASC).

Estão envolvidas cinco Rádios Comunitárias, nomeadamente dos distritos de Angoche, Moma e Mongicual, na província de Nampula, e de Mecúfi e Balama, na província de Cabo Delgado. No terreno, as Rádios Comunitárias estão a fazer auscultação das preocupações das comunidades e lideranças locais e, através de notícias, reportagens e debates, promovem interação com as diferentes partes interessadas, incluindo o Governo.

O objectivo é identificar desafios e propor soluções para a melhoria da qualidade da oferta de serviços públicos. Entre os temas dominantes, constam a educação, saúde, nutrição, água, saneamento e infra-estruturas sociais e económicas.

Três meses depois do início da implementação do Projecto, apoiado pela União Europeia, Délio Inácio, coordenador da Rádio Comunitária Macone, de Moma, descreve o Jornalismo Cidadão nos seguintes termos: “o impacto deste Projecto é positivo. Começámos a desmistificar a ideia de que, como Rádio, só estamos para fazer denúncias. Estamos a ver que as autoridades começam a sentir que o Proejcto vem apoiar tanto a governação, como a comunidade. O Projecto está a fortificar a ligação e aproximação entre os dirigentes e as comunidades”.

Para a Fundação MASC, se houver maior participação dos cidadãos e maior transparência na prestação de serviços públicos, melhorará a qualidade e o acesso a esses serviços e, no geral, estar-se-á a contribuir para um Moçambique mais inclusivo, estável e resiliente, conforme a visão expressa no URITHI – legado, em Swahili, como se designa o nosso Plano Estratégico.