A radionovela “Não Vale A Pena”, um dos instrumentos desenvolvidos pela Fundação MASC para contribuir para fazer face à violência extremista no norte de Moçambique, foi recentemente difundida em comunidades das províncias de Cabo Delgado e Nampula. A radionovela, que já tinha sido difundida a nível nacional, através da Antena Nacional da Rádio Moçambique, insere-se no plano estratégico da Fundação MASC que tem como um dos seus pilares a paz e coesão social.

A difusão da radionovela foi feita através de sessões de escuta conduzidas por facilitadores da Fundação MASC nos distritos de Chiúre e Montepuez, na província de Cabo Delgado, e de Memba, na província de Nampula. Nestas sessões de escuta, feitas em estreita coordenação com as autoridades governamentais daquelas províncias, 73 jovens embaixadores da paz das incubadoras cívicas desenvolvidas pela Fundação MASC foram capacitados para, por sua vez, passarem a fazer o seguimento e a réplica das mensagens extraídas da radionovela ao nível dos seus bairros e famílias.

Muanassa Chafi, da incubadora cívica de Chiúre, afirmou: ‘’Desde o início, estou vendo que tudo que estou aprendendo lá [nas sessões de escuta] é baseado em factos reais. Com a situação dos extremistas, muitos jovens estão sendo influenciados por eles, outros até vão por vontade própria por não terem condições, por não ter o que fazer da vida, então vão para lá para ganhar um dinheiro fácil de uma forma que de facto não é boa. ‘’

Isac Mário, da incubadora cívica de Montepuez, considera as sessões de escuta de ‘produtivas”, pois fazem com que “os jovens reflitam sobre  que acções devem fazer para o desenvolvimento pessoal assim como da própria sociedade. Consciencializa os jovens de que precisam de trabalhar e desenvolver as suas competências”.

Isac Mário lança, ainda, um apelo aos jovens para que “não se deixem enganar por acções quaisquer que sejam! É necessário refletir primeiro se são acções que dignificam o homem e a sociedade.  Aconselharia os jovens a ingressarem nas universidades, nas escolas para aprenderem mais.  E, também, espaços como este [sessões de escuta] são espaços educativos, por que um jovem que não saiba de nada e acompanhe este tipo de episódios, de certa forma, abre a sua consciência e começa a pautar-se por boas acções.”

Rosita Magalhães, da incubadora cívica de Memba, considera as sessões de escuta como momentos de aprendizagem: “Agradeço bastante. Com essa capacitação aprendi muita coisa que eu não esperava que um dia fosse aprender!”

Falando sobre a iniciativa, Gessica Manjate, Oficial de Desenvolvimento de Capacidades da Fundação MASC, afirmou que ” a Fundação MASC pretende contribuir para a paz e coesão social do país. A radionovela que desenvolvemos e temos vindo a disseminar, em parceria com a Albany Associates e a Fundação Aga Khan, visa esse desiderato, em particular para sensibilizar as comunidades contra a violência extremista. Queremos construir narrativas alternativas no sentido de contribuir para garantir que as comunidades, em particular os jovens, que são o principal público-alvo de aliciamentos pelos extremistas, estejam em alerta sobre as várias estratégias usadas para a sua mobilização e/ou recrutamento. Queremos pois dizer não à violência extremista que semeia o luto, dor e destruição no nosso país. “

Gessica Manjate afirmou, ainda, que a Fundação MASC vai, em estreita coordenação com as autoridades governamentais de Niassa, levar a radionovela a esta província. Segundo Manjate, para além de Cabo Delgado, que vem sofrendo directamente com o extremismo violento, Niassa e Nampula, foram identificadas, no quadro de uma pesquisa-acção desenvolvida por investigadores do Instituto de Estudos Económicos (IESE) e da Fundação MASC, Salvador Forquilha, e João Pereira, respectivamente, como espaços férteis de recrutamento extremista.

Refira-se que a Fundação MASC tem vindo a desenvolver outras iniciativas para contribuir para fazer face ao extremismo violento. Estas iniciativas incluem a intermediação do diálogo entre o Governo, parceiros e Sociedade Civil, na busca de soluções sustentáveis contra a violência extremista, o apoio ao desenvolvimento local, através da geração de meios de subsistência económica, a iniciativa Mocambique Yethu (Moçambique é nosso), que já permitiu o lançamento de um álbum musical com 12 faixas de apelo à paz e fim da violência.

 

 

Para ouvir a radionovela online clique aqui

 

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