Ontem (21.09.20), a Fundação MASC por meio da sua iniciativa Incubadora Cívica, organizou em Pemba uma mesa redonda para discutir a contribuição dos actores locais no processo de construção da paz sustentável e coesão social num contexto de ataques armados e do radicalismo religioso em Cabo Delgado. Estiveram presentes lideres religiosos, académicos, e jovens.

A data é comemorada numa altura em que Moçambique está ser assolado por ataques armados sucessivos no centro e norte do país.

Questionados sobre como os actores locais podem participar na construção da paz e coesão social, Eduardo, líder religioso e representando a comunidade muçulmana, disse que há uma necessidade da comunidade inspirar-se nos ensinamentos do islão para construir um ambiente harmonioso e Abdala, académico formado em ciências políticas falou da bipolarização do espaço público e apontou como caminhos para paz a inclusão de mais actores na governação aproximando o Estado a periferia.

Os jovens, por sua vez, afirmaram que, apesar de existir uma vasta legislação sobre a participação em espaços públicos, esta falha na sua implementação porque não há líderes jovens capazes de influenciar ao nível do governo e como contributo para a pacificação e coesão social. Entendem que devem ser pessoas vigilantes promovendo acções de sensibilização e pregando a cultura de paz nas suas próprias comunidades.

O entendimento geral resultante da mesa de redonda é que a paz e a coesão social ainda um desafio porque o processo de construção do estado moçambicano foi sempre marcado por violência e, para acabar com essa violência devemos criar condições de dialogo para a sua construção de uma cultura de paz com base nas instituições de socialização.

A comemoração/reflexão também contou com a actuação da banda Ikwazuni, que recentemente lancou o disco Mocambique Yethu- Stop violência extremista!